Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, 23, o secretário
de Estado da Educação, Eduardo Deschamps, lamentou a posição do
Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública (Sinte/SC) de
romper as negociações com o Governo do Estado sobre as mudanças na
carreira do magistério. Deschamps lembrou que a secretaria de Estado da
Educação foi notificada pelo Sinte na sexta-feira, 20, sobre o início da
greve dos professores da rede estadual a partir desta terça, 24 de
março. “Com greve, não há negociação”, destacou o secretário.
Deschamps reitera que a deflagração de uma greve neste momento
prejudica sensivelmente o processo de construção da nova carreira. O
secretário destacou, ainda, que o Sinte recebeu a nova carreira para
analisar no dia 3 de fevereiro e somente encaminhou o primeiro ofício
para tratar sobre a proposta no dia 27 de fevereiro. “O Sinte gastou
três semanas sem nos procurar. Depois que nós o convidamos novamente
para negociar, ele já quer decretar greve. Isso só vai trazer prejuízos
para os estudantes e para a sociedade. É lógico que é um processo
complexo, que não vai se resolver de uma hora para outra”, explicou.
De qualquer forma, os desdobramentos do movimento do Sinte serão
acompanhados de perto pela equipe da Secretaria de Educação. “O Governo
do Estado ainda acredita que a maioria dos professores não quer a greve.
Mas obviamente vamos fazer toda a orientação aos nossos diretores para
manter o máximo possível suas atividades nas unidades escolares de Santa
Catarina dentro da normalidade. É importante também que cada pai
procure sempre o diretor da escola para ter informações oficiais sobre
situações de greve”, acrescentou o secretário Deschamps.
Desde o dia 6 de março, após o encerramento das reuniões regionais de
apresentação da nova carreira, a secretaria de Estado da Educação vem
realizando, em conjunto com as secretarias da Fazenda e da
Administração, uma série de ajustes na nova carreira com base nas
sugestões dos profissionais do magistério. Ao mesmo tempo, a secretaria
de Educação realizou reuniões com representantes do Sinte para ouvir
também suas sugestões. Em respeito a esta mesa de negociações, foi
utilizada uma semana para realizar as simulações relativas à proposta
apresentada pelo Sinte. A proposta comprovou-se inviável já que seu
custo de implementação elevaria a folha de pagamento do magistério em
mais de R$ 2 bilhões.
Neste momento, a secretaria de Educação está finalizando novas
simulações contemplando: 1. nova forma de enquadramento na nova
carreira, em especial dos professores inativos; 2. equivalência da
remuneração dos ACTs com os níveis iniciais de carreira. Mudanças desta
natureza têm impacto financeiro, e os ajustes precisam ficar dentro da
disponibilidade de recursos do Fundeb, em especial em um ano com cenário
de arrecadação em baixa e ajuste fiscal por parte do governo federal.
“Com a atual situação econômica no Brasil e a redução da arrecadação,
existe um risco de o Estado, por conta da lei de responsabilidade
fiscal, ser impedido de mandar para a Assembleia Legislativa qualquer
tipo de novo projeto com impacto na folha de pessoal. A greve pode
atrasar e comprometer esse processo”, acrescentou Deschamps.
Deschamps reforçou, ainda, que o Governo do Estado de SC cumpre a lei
do piso; os profissionais de nível médio, temporários e iniciantes de
carreira tiveram aumento de vencimentos superiores a 170% nos últimos
quatro anos, enquanto os profissionais de maior titulação e tempo de
carreira tiveram aumento de vencimentos da ordem de 80% (aumentos muito
superiores à inflação do período e do aumento de receita do Fundeb); e
que a nova carreira procura valorizar principalmente os profissionais
com mais tempo de carreira e maior titulação que tiveram aumentos
menores nos últimos quatro anos, realizando a chamada descompactação da
carreira.
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